
Crônicas de um Mundo Esquecido
Entre mitos medievais e ruínas tecnológicas, a verdade acenderá a chama da revolução
by Carlos Lobo
Nove reinos sobrevivem sob o domínio brutal da Fundação, uma ordem religiosa que proíbe o avanço tecnológico e prega a submissão a divindades chamadas Fundadores. Quando a filósofa Karla e a guerreira Lenna desafiam o sistema injusto de castas, uma revolução sem precedentes tem início no reino de Liar. Mas a verdadeira reviravolta acontece no campo de batalha, quando os céus se rasgam e uma nave espacial em chamas cai sobre a terra massacrada. A pilota Estela traz consigo o conhecimento que pode destruir os mitos da Fundação para sempre. Com a chegada de armas avançadas, a guerra de espadas se transforma em um conflito definitivo entre a carne, o aço e os segredos do passado. Em um mundo onde o sangue dos oprimidos se mistura à fúria dos Guardiões, até onde Karla e Lenna irão para garantir a verdadeira liberdade? De Carlos Lobo, Crônicas de um Mundo Esquecido é um épico visceral de ficção científica e distopia que questiona a fé, o poder e os limites da humanidade.
- Science Fiction
- Dystopian
- Colony Worlds
Estrela Cadente
Estela acordou com o estrondo de ruídos e alarmes e sentiu as paredes da cabine vibrarem. Lentamente, ela começou a ouvir o metal de sua nave torcendo-se e se expandindo-se por causa do calor da reentrada, o alarme irritante avisando que a nave estava com problemas e a voz de sua inteligência artificial biológica falando em sua cabeça sobre os procedimentos que estava executando. A nave com certeza estava danificada, pois o calor dentro da cabine era quase insuportável. Foi então ela percebeu que estava vestindo seu traje de nanotecnologia, que devia ter sido ativado por Ani.
— Já era hora de acordar! Estou realizando os procedimentos de emergência, mas talvez seja necessário ejetar.
— Onde estamos? O que aconteceu? — perguntou Estela ainda desorientada. Ela estreitou os olhos contra as luzes vermelhas do painel e ainda não conseguia lembrar como haviam chegado ali.
— Não sei do que você se lembra, mas saímos do hiperespaço muito perto daquele gigante gasoso que este planeta orbita. Uma pedra de gelo dos anéis do planeta colidiu com a nave e perdemos o controle.
Estela ficou em silêncio e deixou Ani fazer todo o trabalho. Quando ela recebeu o seu implante neural de biotecnologia contendo uma inteligência artificial, a primeira coisa em que pensou foi se a voz seria masculina ou feminina, mas ficou feliz quando pôde escolher uma voz feminina, que ela chamou de Ani. Seria estranho ter um “homem” o tempo todo dentro da sua mente. Agora, aquela presença invisível era a única coisa que a separava da morte certa enquanto a gravidade daquele mundo desconhecido puxava sua nave em direção ao solo. O implante de inteligência artificial era fundamental para conseguir pilotar aquele tipo de nave e todas as tecnologias que ela trazia.
— Ani, conseguiu escanear este planeta para saber se é habitável e se tem alguma civilização?
— É perfeitamente habitável para humanos e há de fato uma civilização, mas de acordo com os sensores, nenhuma tecnologia avançada foi detectada.
— O que isto significa?
— Nenhum campo eletromagnético significativo foi detectado, ou seja, a civilização neste planeta ainda não descobriu a eletricidade.
O fogo gerado pelo atrito da reentrada se dissipou e foi possível visualizar a superfície do planeta. Grandes florestas verdes, rios, campos, cordilheiras de montanhas. Dava para distinguir algumas cidades maiores, ainda igual a manchas no solo distante. Tudo era muito semelhante ao que ela conhecia apenas por antigas imagens do seu mundo antes de ser totalmente destruído pelas grandes corporações de mineração. Era uma visão de beleza quase primitiva, muito diferente das grandes estações espaciais que Estela conhecia tão bem.
No entanto, a recordação passageira foi quebrada instantaneamente quando as câmeras externas focaram em um ponto específico do relevo abaixo. Na grande planície gramada que se estendia entre duas montanhas cobertas de densas florestas, pequenos pontos coloridos se moviam em um padrão caótico, pareciam formigas correndo aleatoriamente diante de uma ameaça.
— Ani, amplie aquela região. O que é aquilo?
A imagem mental projetada diretamente no córtex visual de Estela se expandiu. Não eram apenas movimentos aleatórios. Centenas de figuras humanas, vestidas com o que pareciam ser armaduras de metal pesado e roupas de couro, colidiam em uma batalha violenta. Espadas brilhavam sob a luz do sol local, lanças perfuravam corpos, e cavalos galopavam pelo gramado tingido de vermelho.
— Uma batalha!? — murmurou Estela.
— Com certeza! — respondeu a voz melódica de Ani na mente de Estela. — Trata-se de um conflito armado de nível tecnológico medieval. Minhas projeções indicam que nossa trajetória de queda nos levará diretamente ao centro geográfico desse confronto. As chances de colisão com combatentes ativos são de oitenta e sete por cento.
— Mas são humanos?
— Ainda não é possível afirmar com certeza, mas são humanoides.
— Ótimo, além de cair em um planeta atrasado, vou aterrissar no meio de uma guerra — ironizou Estela, sentindo a adrenalina disparar em suas veias enquanto o traje de nanotecnologia se ajustava ao seu corpo, apertando-se ligeiramente para estabilizar sua pressão sanguínea.
— Os sistemas de propulsão da nave estão completamente destruídos. Não há como alterar a rota de queda livre. Prepare-se para ejetarmos.
A velocidade da descida aumentou drasticamente. A carcaça de metal da nave tremia tanto que Estela mal conseguia focar a visão nos painéis da nave. Ela podia ver o solo se aproximando em uma velocidade assustadora. As árvores da floresta vizinha pareciam ficar mais altas.
— Hora de saltar, Estela!
— Você é quem manda, Ani!
O teto da nave se abriu com um estrondo de cargas explosivas e a pilota foi impulsionada para fora. Por algum tempo ela girou descontroladamente pelo ar, caindo rapidamente. Mas os propulsores de seu traje logo entraram em ação, estabilizando o movimento do corpo e fazendo-a descer suavemente, como se estivesse usando um paraquedas invisível. Enquanto flutuava em direção ao chão, Estela viu sua nave continuar sua trajetória descendente, transformando-se em uma imensa bola de fogo que riscava o céu azul como um meteoro.
Lá embaixo, o som do metal colidindo e os gritos de dor dos guerreiros se tornavam cada vez mais nítidos. O cheiro de grama queimada e sangue subia com as correntes térmicas de ar. Estela ajustou sua postura de queda, tentando direcionar os micropropulsores para longe das maiores concentrações de soldados armados. No entanto, o turbilhão de ar da nave arrastou-a para o centro da planície, onde o combate parecia mais intenso.
— Prepare-se para o impacto — alertou Ani. — Compensadores de gravidade ativos em três, dois, um...
Estela tocou o solo com flexibilidade, os joelhos dobrando para absorver a energia restante enquanto os propulsores do traje emitiam um último sopro de calor que espalhou a poeira e a grama ao redor. Ela se levantou lentamente, esperando a poeira baixar e revelar o cenário caótico ao seu redor.
A poucos metros de distância, o local onde a nave colidiu com a terra, formou-se uma cratera seguida por uma longa cicatriz no solo, por onde a nave se arrastou até parar completamente. A onda de choque do impacto tinha derrubado homens, cavalos e armas por dezenas de metros.
Através da fumaça preta da nave e da poeira que subiu com o impacto, Estela tentou se localizar. Seu coração batia tão forte que parecia querer sair pelas costelas.
No silêncio súbito que se seguiu ao impacto, soldados de ambos os lados, até então consumidos pela fúria da guerra e cobertos de poeira e fuligem, paralisaram. Olhavam para ela com uma mistura de pavor e misticismo, convencidos de que testemunhavam a descida de um ser divino ou o próprio fim de seus dias. Alguns haviam caído de joelhos, soltando suas lanças e escudos, enquanto outros apontavam suas armas com as mãos trêmulas, prontos para atacarem ou se defenderem.
Foi nesse momento de silêncio tenso que Estela viu uma figura se destacar da linha de combatentes. Era uma guerreira alta, vestindo uma armadura de couro marrom texturizada, com detalhes de cota de malha metálica visíveis sob o couro nas mangas e ao redor do pescoço, calças marrons e botas de couro robustas, de cano alto. Ela não usava capacete, como alguns outros soldados, mas empunhava uma longa espada de dois gumes. Seus cabelos loiros eram longos, e seus olhos cinzentos tinham uma intensidade fria que fez Estela prender a respiração por um instante. Havia algo naquela mulher que parecia diferente de todos os outros soldados assustados ao redor.
— Ani... quem é aquela? — sussurrou Estela mentalmente.
— Pela postura dela, o modo como ergue a espada, a calma absoluta em meio ao caos e a forma instintiva como os soldados abrem caminho. Ela não é apenas uma guerreira. Ela é quem comanda este exército.
Os olhos cinzentos encontraram os dela e algo na cabeça de Estela travou. Não fazia sentido. Ela não conhecia aquela mulher, não sabia seu nome, mas o peito apertou como se reconhecesse alguma coisa ali. Tudo ao redor continuava errado: o cheiro de fumaça e sangue, o metal retorcido da nave, gente gritando numa língua que ela não entendia. Só aquele rosto parecia real. Estela deu um passo à frente antes de decidir se devia, as botas de nanotecnologia estalando contra a grama queimada.
***
Minutos antes do céu se rasgar, Lenna Valerius sentia o peso familiar do aço em suas mãos e o cheiro de sangue fresco misturado à grama do campo de batalha no reino de Parodi. O combate contra os soldados inimigos havia se transformado em uma disputa brutal naquela planície.
A planície se estendia até onde a vista alcançava, cortada ao meio pelo Talvera, um rio de águas profundas que marcava a fronteira entre Parodi e Liar. De um lado, o exército de Parodi avançava em ondas, pisoteando a grama baixa. Do outro, as forças de Liar se fechavam em linha diante da ponte de pedra. Se os invasores tomassem a ponte, o reino do outro lado ficaria escancarado.
A infantaria de Liar, sob o comando direto de Lenna, tentava manter a linha defensiva contra os ataques desordenados, mas violentos, das forças inimigas. O som de espadas batendo em escudos de madeira, os gritos de homens morrendo com as entranhas expostas e o odor de suor e sangue formavam uma sinfonia caótica que Lenna sabia bem como reger.
Ela girou o corpo, aparando o golpe de machado de um soldado inimigo com seu escudo de madeira e metal. Com um movimento rápido e preciso, fruto de anos de treinamento implacável na Academia de Guerra de Liar, ela enfiou sua espada longa de mestre-ferreiro sob a axila do oponente, onde a armadura de placas era vulnerável. O homem soltou um gemido sufocado, o sangue quente jorrando sobre as luvas de couro de Lenna antes de ele desabar na lama. Ela puxou a lâmina com rapidez, já procurando o próximo alvo.
— Capitã! Eles estão flanqueando pela colina leste! — gritou um de seus sargentos, o rosto sujo de sangue.
— Façam uma formação de tartaruga! — ordenou Lenna, sua voz autoritária e firme cortando o barulho do combate. — Não recuem um único passo! Se quebrarmos a linha agora, eles vão nos massacrar na planície!
Os soldados de Liar gritaram em resposta, unindo seus escudos para formar uma espécie de carapaça contra a chuva de flechas que vinha das linhas inimigas. Lenna estava na frente, seu peito subindo e descendo com a respiração pesada. Ela sentia a fadiga começar a acumular em seus músculos, mas a disciplina militar e o desejo obstinado de provar seu valor como a líder do governo revolucionário de Liar a mantinham de pé. Cada decisão ali era uma questão de vida ou morte, não apenas para ela, mas para todos os homens que haviam aprendido a confiar em seu comando.
Mas parecia que apenas determinação não estava adiantando. Metade das forças revolucionárias era formado por camponeses que abraçaram a causa da revolução e queriam defender a sua recém-formada nação. Apesar de obstinados, não tinham os mesmos anos de treinamento militar do exército de Parodi, que tentava invadir Liar e restaurar a monarquia.
O destacamento avançado sob seu comando, agora reduzido a vinte homens, foi cercado pela cavalaria de Parodi. O resto do seu exército protegia a ponte. Lenna gritava ordens para os soldados manterem a formação, mas muitos entravam em desespero, baixando a guarda e ficando expostos a flechas inimigas. O fim estava próximo.
Foi então que o mundo pareceu parar.
Um som grave e alto, mais forte que um trovão, ecoou de cima. Lenna olhou para o céu, esperando ver alguma nova arma de cerco ou talvez um sinal de tempestade. O que viu, no entanto, a deixou atônita. Uma imensa estrela cadente, envolta em chamas amarelas e vermelhas de uma intensidade insuportável, descia em direção ao centro do campo de batalha. A luz emitida pelo objeto cegava a vista e o calor ardia-lhe a pele.
— Pelos Fundadores... o que é aquilo? — gritou um soldado ao seu lado, caindo de joelhos e fazendo o sinal da Fundação sobre o peito.
— Um castigo divino! É a ira dos Fundadores por termos desafiado as leis da Fundação! — gritou outro soldado, o pânico se espalhando pelas fileiras de Liar tão rápido quanto o fogo se espalha em palha seca.
Os soldados de Parodi também interromperam o ataque. Homens que momentos antes tentavam arrancar as cabeças uns dos outros agora olhavam para o mesmo ponto no céu, unidos por um pavor ancestral. Cavalos relinchavam de terror, empinando e derrubando seus cavaleiros na grama antes de fugirem descontrolados pelo campo. O ar vibrava e fazia o chão tremer.
Antes que Lenna pudesse ordenar que seus homens mantivessem a calma, o objeto flamejante atingiu o solo acerca de cem metros de sua posição. O impacto foi devastador. A terra tremeu com a violência de um terremoto, jogando Lenna e metade de sua unidade ao chão. Parte da cavalaria de Parodi foi esmagada por aquela estrela cadente. Uma imensa nuvem de poeira, fumaça preta e detritos subiu em direção às nuvens, acompanhada por uma onda de calor que queimou as bochechas de Lenna e fez seus olhos arderem.
Lutando contra a tontura e o zumbido ensurdecedor em seus ouvidos, Lenna se levantou, usando sua espada como apoio. Ela não pegou seu escudo e nem se preocupou em procurá-lo. A poeira estava baixando lentamente, revelando uma cratera fumegante onde a grama verde havia sido instantaneamente carbonizada. No meio da fumaça, algo brilhava com uma luz metálica estranha, diferente de qualquer aço ou bronze que ela já tivesse visto.
— Capitã, devemos recuar! É uma armadilha dos demônios! — implorou um soldado, segurando seu braço com força.
— Solte-me! — rosnou Lenna, desvencilhando-se com um puxão. — Fiquem aqui e mantenham o perímetro. Ninguém avança sem minha ordem.
Ignorando os apelos de seus subordinados e os olhares aterrorizados dos sobreviventes do exército inimigo, Lenna começou a caminhar em direção à cratera. Seus passos eram lentos, mas firmes. O calor que emanava do local era forte, ela sentia o cheiro de metal queimado e algo puramente químico, mas segurava a espada com força, sua luva de couro rangendo contra o punho da arma.
Ao se aproximar da borda da cratera, a fumaça se dissipou o suficiente para que ela visse, na borda do terreno devastado, de pé sobre grama queimada, uma figura humana. Mas não era um soldado comum. Era a silhueta de uma mulher, vestindo o que parecia ser uma pele de metal preto e cinza extremamente polido, que brilhava sob a luz do sol como se estivesse viva. O traje se ajustava perfeitamente às curvas de seu corpo, sem costuras, fivelas ou rebites visíveis, cobrindo-a dos cabelos aos pés de uma forma que nenhuma armadura que ela já tinha visto conseguiria imitar. Não dava para distinguir olhos, boca e nariz.
De repente, a parte daquela vestimenta que cobria a cabeça pareceu se desvanecer ou se liquefazer, escorrendo em direção ao pescoço, revelando o rosto de uma mulher jovem, de pele extremamente pálida e cabelos de um tom prateado que pareciam brilhar com luz própria. Seus olhos tinham um brilho sutil, quase elétrico, que se fixou diretamente em Lenna.
Antes que Lenna pudesse reagir ou dizer qualquer palavra, o som de botas pesadas correndo chamou sua atenção. Um grupo de soldados de Parodi, que haviam se recuperado do choque inicial, começou a avançar em direção à cratera com as lanças apontadas, prontos para perfurar a criatura enviada pelos deuses para puni-los.
— Atenção! — gritou Lenna, levantando sua espada. — Mantenham o perímetro! Fiquem prontos para defendermos a estrangeira!
— Mas, senhora... Foi este demônio que causou a queda da estrela! Devemos matá-lo antes que nos mate a todos! — protestou um dos lanceiros, o rosto pálido de medo.
— Se fosse um demônio enviado para nos destruir, já estaríamos todos mortos pelo fogo que ela trouxe do céu. Mantenham a posição, eu já ordenei.
Os soldados hesitaram, olhando de Lenna para a mulher de cabelos cor de prata e depois para a imensa cratera fumegante. A autoridade de Lenna, conquistada com sangue e liderança durante a revolução, falou mais alto que o medo irracional que sentiam. Eles deram alguns passos para trás, mas mantiveram suas armas apontadas, prontos para intervir ao menor sinal de perigo.
Lenna voltou-se novamente para a estrangeira. Seus olhos cinzentos encontraram os daquela mulher misteriosa que parecia vir de outro mundo. Havia uma vulnerabilidade oculta por trás daquele traje tecnológico, uma expressão de desorientação e medo que Lenna reconhecia muito bem em si mesma nos momentos de maior solidão. O silêncio que se instalou entre as duas parecia isolá-las do resto do campo de batalha, como se as centenas de corpos e o cheiro de morte ao redor tivessem desaparecido por um instante.
Enquanto observava a estrangeira tentar se equilibrar sobre as pernas trêmulas, ela se viu novamente nos corredores escuros do palácio de Liar, sentindo a dor insuportável de quando sua vida havia sido arrancada de seu ventre pela traição da realeza. Aquela sensação de estar completamente indefesa diante de forças que não podia controlar era exatamente o que via refletido nos olhos brilhantes daquela mulher caída do céu. E foi essa lembrança, mais do que qualquer dever militar ou curiosidade, que fez Lenna tomar a decisão de proteger aquela mulher a qualquer custo.
Então as lembranças de dez anos atrás a invadiram como uma flecha. As lembranças de onde tudo começou, na festa de formatura.
Formatura
A taberna Javali de Ferro fervilhava de estudantes tentando aproveitar as últimas canecas de cerveja antes da grande festa de formatura. Jovens entre dezoito e vinte anos aglomeravam-se diante do balcão de madeira, disputando a atenção dos atendentes. Apenas os que haviam chegado bem cedo ocupavam um lugar privilegiado em uma das poucas mesas …

